sábado, 30 de maio de 2009

Entrevista com o Pastor Maurício Price sobre Capelania Universitária


Pr. Price pregando na UERJ
Pr. Price pregando no Culto da CEU na Capela da UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro

M.Price - Aviva gospel UERJ
João Cruzué

ENTREVISTA
concedida ao Irmão João Cruzué, da UBE - União de Blogueiros Evangélicos, pelo jovem médico e Pastor ordenado pela Igreja Batista do Meier, Rev. Dr. Maurício Price, responsável pelo projeto e implantação da "CEU" - Capelania Universitária da UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Esta entrevista tem como propósito primário, despertar, incentivar, desafiar, outros jovens universitários evangélicos a conquistar o mesmo espaço nas Universidades onde estudam. Certamente Deus tem grandes planos na vida de muitos jovens acadêmicos que ainda estão longe, mas que através do ministério de uma Capelania Universitária possam chegar perto, mas perto, até aceitar a Fé.

Dá-me cem homens que nada odeiem senão o pecado,
que nada temam senão a Deus, que nada busquem senão as almas perdidas,
e eu transformarei o mundo em chamas”
John Wesley

1) UBE - Pastor Mauricio Price, consta de sua genealogia que o senhor é bisneto do Reverendo Dr. John W. Price (1870-1951) e Elizabeth W. Price( 1872-1962), casal de missionários norte-americanos que investiram mais de 30 anos de suas vidas no Brasil. Conte-nos um pouco sobre os projetos e realizações missionárias de seus bisavós maternos?

R - Pastor Maurício Price: Meus bisavós são meus antecessores e minhas referências também na obra missionária. O médico Rev. Dr. John Price destacou-se como um missionário de grande envergadura em sua época. Ele e sua esposa deixaram Nova York com destino ao Brasil após serem enviados pela junta de missões da Igreja Metodista dos Estados Unidos. Eles chegaram no Rio de Janeiro em 1896. Rev. Price pastoreou e fundou várias igrejas locais nos Estados do Rio Grande do Sul , Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Destacando-se as igrejas em Porto Alegre, Santa Maria, Cruz Alta, São Lucas e Rio da Prata. Como missionário profícuo trabalhou com a esposa em diversos outros projetos evangelísticos no Brasil tendo fundado também escolas e hospitais deixando um legado espiritual imensurável. Em sua biografia escrita pelo Rev. A. M. Ungaretti em 1939, foi publicado um artigo em alusão ao ministério de seu colega intitulado ‘’ O Apóstolo’’ em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Outro admirador e cooperador, João P. Flores, descreve resumidament e sobre o casal num artigo publicado no Jornal ‘’ Expositor Cristão’’ de 1938 dizendo: “ Aqui no Brasil muitos serão os corações que se lembrarão do agradável casal que deixa uma rica herança entre nós. O casal Price dedicou mais de 35 anos de suas vidas na obra de Deus em nosso favor.” Deus é fiel ! Louvo ao Senhor pela vida deles e pelo exemplo que são para mim e toda minha família.

2) Poderia compartilhar um pouco de sua história, contexto social e área de serviço de maior força no Ministério Cristão ?

Nasci em um lar cristão e tive a oportunidade de estar em contato com a Palavra de Deus desde pequeno. Lembro-me que ainda na infância visitava várias denominações e freqüentava também cultos em diferentes segmentos evangélicos levado por minha mãe. Dessa forma, cresci com uma visão mais ampla e coerente do Reino de Deus no tocante a diversidade de expressões cristãs. Conheço um pouco do chamado “mundo cristão’’ do Brasil. Hoje, enquanto Ministro do Evangelho, continuo também atuando em diferentes segmentos evangélicos, pregando a Palavra de Deus em igrejas históricas, pentecostais e neopentecostais. Lembro-me ainda de alguns pastores que foram referenciais de vida cristã para mim tanto na infância quanto na adolescência, com que tenho ainda o privilégio de conversar. Creio que o Senhor me separou desde o ventre materno e que ao Seu tempo a confirmaria a chamada Dele em minha vida, para servi-Lo no Ministério. Ao longo de minha vida cristã passei por algumas denominações evangélicas tendo dessa forma madurecido e ampliado a minha visão do Reino. Como disse anteriormente, minha experiência de vida cristã não se resume a esse ao aquele denominação. Aliás, o Reino de Deus é supradenominacional. Em 1992 fui batizado nas águas no Rio Jordão, em Israel, na ocasião de uma viagem que realizei com um grupo de cristãos brasileiros. Fui ordenado ao Santo Ministério da Palavra na Igreja Batista do Bairro do Méier, Rio de Janeiro. O concílio examinatório e consagratório na ocasião era composto por vinte e quatro pastores presentes na cerimônia solene.. Casei-me na mesma igreja. Sou Presidente do Diretório Estadual da Sociedade Bíblica do Brasil no Rio de Janeiro, aonde atuo desde 2006. Tenho pregado em várias igrejas ultimamente desejando cooperar com uma Igreja mais santa e influente em nossos dias. Sou colunista em alguns jornais cristãos também no RJ.

O Casal: Pr. Maurício e Cristina Maria Price

3) Sua formação pastoral vem do Instituto Bíblico Ebenézer e do Seminário Teológico Betel - ambos no Rio de Janeiro. Que fatos marcaram sua passagem pelas duas Casas?

Tive o privilégio de estudar em duas instituições de ensino teológico para o meu aperfeiçoamento no exercício do Ministério Cristão, sendo que no Betel cursei o Mestrado em Teologia na área de Missiologia, onde justamente tenho focado atualmente muitas de minhas atividades ministeriais. Entendo que o cristão não pode negligenciar seu compromisso com o evangelismo e a obra missionária. Seja urbana, nacional ou transcultural, sob pena de tem negar a Fé. Creio que o homem chamado por Deus para ser Ministro do Evangelho não é formado nos seminários teológicos, mas na escola do Espírito. Agradeço ao Senhor pela vida de alguns professores espirituais que tive em minha formação, porém compreendo que o Mestre sabe treinar e preparar particularmente cada um dos seus escolhidos que Ele mesmo separa para Sua obra. A formação teológica é importante, mas a unção do Espírito Santo na vida do obreiro cristão é vital, sem a qual ele será apenas um agente religioso. Dons espirituais são dádivas de Deus. Não são comprados, comercializados, muito menos adquiridos nesse ou naquele seminário. O Dr. J. I. Packer, disse certa vez com muita lucidez espiritual que '' Se buscarmos o conhecimento teológico por si mesmo, isso inevitavelmente nos fará mal. Ele nos tornará orgulhosos e vaidosos.'' Lembro-me que em determinada atividade à noite de uma certa disciplina no seminário, fiquei atônito pelo motivo da interrupção da aula naquela ocasião. Alguns seminaristas (alguns já eram até pastores em suas igrejas) pressionaram o professor para encerrar a aula mais cedo, pois haveria jogo de futebol do time deles e eles alegaram que não poderiam perder aquele '' importante'' evento. Enfim, posso reafirmar que aprendi bastante nas escolas teológicas que passei, mas aprendi mais ainda de joelhos orando e lendo a Bíblia em intimidade com o Pai, sempre atuando em Sua obra e sensível ao Seu Espírito.

4) Consta de seu currículo ainda que o senhor é formado em Medicina pela UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro, com pós-graduação em Clínica Médica em Medicina do Trabalho e em Medicina Hiperbárica. Por que deixou isto em segundo plano para para priorizar o exercício do Ministério Cristão ?

Considero que o mais alto privilégio que um homem pode alcançar é ser Ministro da Palavra de Deus. Dessa forma entendo que o Senhor vem tratando comigo há alguns anos, permitindo que eu viesse realizar alguns cursos e ter também através disso importantes estratégicas e credenciais para otimizar e maximizar o acesso, a penetração da pregação do Evangelho em diferentes segmentos sociais. Quando Deus permite que você atinja certa posição e reconhecimento no mundo secular, entendo que Ele deseja que você seja um instrumento dele para para alcançar os “inalcançáveis’’, isto é, aquelas pessoas que por se considerarem muito “importantes’’ nesse mundo, dificilmente iriam frequentar ou visitar um templo evangélico para ouvir a Palavra. O apóstolo Paulo conhecia os dois “mundos’’ - o judeu e o grego. Pregava para carcereiros, mas também para governadores e reis. Entendo que através do exemplo de vida e ministério, o obreiro cristão do século XXI também deve ter essa visão e formação, a fim de levar o Evangelho a todos os segmentos da sociedade.


5) Em que momento da vida aconteceu sua chamada ministerial?

Foi durante o curso de Medicina, quando ingressei na Faculdade de Ciências Médicas da UERJ com 17 anos. Creio que o Senhor movia sua mão sobre mim para realizar sua obra com ousadia e coragem diante dos colegas da faculdade. Já pregava e dirigia o Núcleo Bíblico do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE); estava no quarto ano de Medicina. Naquele tempo o Senhor me chamou de maneira clara, especial e sobrenatural. Não tenho palavras humanas que descrevem esses momentos. Vários sinais da parte de Deus ocorreram desde então confirmando a minha chamada para o ministério. Segundo Lovett H. Wems Jr., o líder espiritual do povo de Deus é reconhecido não por seu posto eclesiástico, mas pelas suas obras e serviços prestados ao Reino. A chamada autêntica na vida do homem de Deus gera, segundo Kléos M. Lenz César, uma intensa compulsão interior (1 Co 9.16); um amor crescente às almas dos pecadores. Uma inquietante conscientização da falta de obreiros. Uma comprovada aptidão natural para o trabalho. Uma percepção gradual da natureza específica da vocação e uma persistente vitória sobre os obstáculos à vocação. Foi isso que aconteceu comigo por volta do ano 2000. Minha vocação ao ministério pode ser bem resumida segundo o pensamento de Xavier Leon-Dufour quando diz:"Vocação é o chamado que Deus dirige ao homem a quem Ele escolheu para si e que destina a uma obra especial no seu plano de salvação e no destino de seu povo. Na origem da vocação há, portanto, uma eleição divina; no seu termo, uma vontade divina a cumprir. Não obstante, a vocação acrescenta algo à eleição e à missão: um chamado pessoal dirigido à consciência mais profunda do indivíduo, produzindo uma reviravolta na sua existência, não só nas suas condições exteriores, mas até no coração, fazendo dele um outro homem."


6) O que vem a ser uma Capelania? E qual tem sido a sua experiência coordenando a CEU - Capelania Evangélica Universitária na UERJ ?

Capelania é uma atividade cuja missão é colaborar na formação integral do ser humano, oferecendo oportunidades de conhecimento, reflexão, desenvolvimento e aplicação dos valores e princípios ético-cristãos e da revelação de Deus para o exercício saudável da cidadania. Em ambiente hospitalar a capelania atua como uma assistência religiosa prestada por ministro religioso, garantida por lei em entidades civis e militares de internação coletiva com dispositivo previsto na Constituição Brasileira de 1988 nos seguintes termos: “é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva”. (CF art. 5º, VII).A CEU visa prestar assistência religiosa ao meio universitário e ao ensino superior, promovendo atividades, tais como:

a) Cultos com alunos, docentes e servidores, na Capela Universitária, com periodicidade regular

b) Aconselhamento bíblico e estudos bíblicos, de preferência na Capela Universitária

c) Atendimento e aconselhamento psicológico aos alunos.

d) Programação especial em datas comemorativas;

e) Apoio e/ou supervisão aos movimentos estudantis evangélicos, bem como a eventos confessionais cristãos.

Além das atividades inerentes à Capelania por sua natureza, estamos propondo através de nossa equipe outras formas de atuar junto à comunidade universitária, no sentido de prestar apoio logístico e de participar tão ativamente quanto possível da rotina da referida comunidade. Nesse sentido estamos nos preparando para realizar:

a) Apoio aos Programas Sociais da Universidade (Ex: Campanha de doação de sangue, arrecadação de alimentos, etc.);

b) Visitas hospitalares a alunos, servidores, docentes e respectivas famílias, quando solicitada;

c) Participação em cerimônias de Colação de Grau e outros eventos internos, quando solicitado pela organização competente;

d) Apoio ao Trote-Solidário;

e) Culto em Ação de Graças pelos aniversariantes (alunos, servidores e docentes) – mensalmente na Capela.


7) Qual é a composição da equipe e a história da Capelania Evangélica Universitária?

A Capelania Evangélica Universitária (CEU) é composta por um coordenador geral, pastor evangélico ordenado, e representação de auxiliares voluntários ( servidores, docentes e alunos). Tem composição, obrigatoriamente, majoritária de membros regulares oriundos da comunidade universitária sem prerrogativas político-partidárias de quaisquer espécies, na sua atuação. Tendo em vista o crescimento do movimento evangélico na UERJ como um todo já há muitos anos, inclusive dos movimentos estudantis atuantes nos Campus Universitários da UERJ, gerou-se uma necessidade de organizar e representar oficialmente o segmento evangélico diante da Alta Administração. Isso ocorreu após a apresentação de um projeto escrito elaborado por nossa equipe, que foi apreciado pela reitoria que entendeu que da mesma forma que o segmento católico era reconhecido pela comunidade universitária através da Pastoral Universitária, o segmento evangélico também deveria ser tratado segundo o princípio de isonomia - uma vez que a universidade é laica. A CEU basicamente tem cumprido essa função, além de assessorar a reitoria nos assuntos que diz respeito ao credo Protestante.


8) Conhece outras Capelanias Evangélicas em outras Universidades?

Conheço apenas serviços de capelania em universidades confessionais cristãs ou de faculdades teológicas evangélicas. Em universidades seculares desconheço algum trabalho nessa área.


9) Estaria disposto a ajudar com informações e conselhos para o estabelecimento de outras Capelanias Universitárias?

Claro que sim. Primeiro, porque uma de minhas atividades pastorais tem sido no ministério cristão universitário desde 1997 e creio que pude adquirir alguma experiência nessa área. Segundo, que através das diferentes capelanias cristãs existentes – universitária, portuária, prisional, hospitalar, estudantil, entre outras – a Igreja pode desenvolver um consistente trabalho missionário em diferentes instituições em nossa cidade, estado e nação. Por exemplo, a CEU tem colhido muitos frutos em nossas atividades de assistencialismo espiritual nesse amplo campo missionário urbano que hoje abrange mais de 30.000 membros, entre alunos, servidores e docentes. Creio que Deus ao longo da História sempre enxergou o potencial das universidades para promoção do Evangelho, pois sabemos que foram dentro delas que eclodiram os maiores avivamentos espirituais no Cristianismo.


10) Qual é sua expectativa quanto a União de Blogueiros Evangélicos em relação a evangelização digital?

Considero uma iniciativa estratégica para a propagação do Evangelho. Devemos otimizar nossos métodos de evangelização num mundo globalizado, sem é claro alterar os princípios espirituais da Bíblia que são imutáveis.


11) Suas considerações finais

Meu maior desejo na qualidade de Ministro do Evangelho é servir ao Senhor da Igreja e a Igreja do Senhor. John Wesley(1703-1791), pregador avivalista, membro do “Clube Santo” na Universidade de Oxford, certa vez teve um desejo, que inspira a vida de milhões de cristãos, inclusive a minha: “Dá-me cem homens que nada odeiem senão o pecado, que nada temam senão Deus, e que nada busquem senão almas perdidas, e eu transformarei o mundo em chamas”

Que seja também o nosso desejo! A Ele seja toda a glória !


Contato e informações: www.mprice.com.br ou www.mpriceg.blogspot.com


Entrevista feita por João Cruzué

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sábado, 25 de abril de 2009

Blogagem coletiva da UBE - Max Lucado no Brasil


MAX LUCADO EM JULHO NO BRASIL

Max Lucado

A partir de 18 julho Max Lucado, o maior escritor de livros de inspiração do mundo, virá ao Brasil. Durante 10 dias, Lucado passará por São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Vitória e Rio de Janeiro com a turnê Sem medo de viver, que é também título do livro que o autor lançará em primeira mão no evento. Veja o convite que Lucado fez especialmente aos brasileiros:







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quinta-feira, 23 de abril de 2009

CGADB - RESULTADO ELEIÇÕES 2009


Resultado das Eleições para a Mesa Diretora da CGADB
Período 2009 -2013

CGADB-2009

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quarta-feira, 15 de abril de 2009

O que vai acontecer com as Assembleias de Deus depois da Convenção em Vitoria-ES


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João Cruzué

Em atenção e respeito aos leitores Assembleianos deste Blog desejei escrever, hoje, dia 15 de abril de 2009, algumas linhas que expressam a minha opinião sobre este grandioso evento, que com certeza levará as ADs definitivamente ao Século XXI, independentemente de quem vier a liderar a Convenção pelos próximos anos. A mudança não vai acontecer - ela de fato já aconteceu. A Convenção vai chamar a atenção para essas mudanças.

Pela segunda vez, em dois anos, está acontecendo uma atividade política religiosa, a meu ver saudável enquanto respeitosa e limitada ao campo das idéias. Sim, novas ideias é tudo que uma grande Igreja com a Assembleia de Deus precisam para continuar na liderança do evangelismo da nação brasileira. Pastor José Wellington Bezerra da Costa e Pastor Samuel Câmara, neste momento dividem as opiniões e os pensamentos dos ministros assembleianos. Que vença aquele que for melhor, dentro da vontade do Senhor para o bem da Igreja.

Vi como uma agradável surpresa, a prorrogação do prazo de inscrição para que as irmãs, esposas de ministros possam também participar do evento. Eventualmente, isto possa ter acontecido em outras vezes, mas de minha parte, vi somente agora. Louvo esta atitude, pois tenho opinião diversa do conservadorismo desta Igreja. Na minha opinião, homens e mulheres são iguais perante Deus, e é um desperdício de ministérios manter a velha ordem de que o púlpito é um lugar privativo de homens. Creio que Deus, a cada época, fala através de seu Espírito sobre sua vontade entre a humanidade. A escravidão que antes era biblicamente tolerada, foi defenestrada pelos ingleses há dois séculos. Era vergonhosa, embora defensável biblicamente. A segregação racial nos Estados Unidos até Martin Luther King, inacreditavelmente liderada por evangélicos também foi uma mancha na história da Igreja, que mudou sua forma de pensar e melhorou. A Igreja Assembleia de Deus no Brasil, pelo menos até agora vem se destacando como o bastião mundial na obediência bíblica por não considerar o direito ao ministério das mulheres. Coisa que a Coréia, uma país culturalmente machista já considera (e foi muito bem sucedido) há mais de 40 anos. Desprezar o ministério de mulheres é o mesmo expor perante a sociedade do 3º Milênio é o mesmo que dizer que a mulher é um ser humano de segunda categoria. Se Jesus é a cabeça da Igreja, não existe em uma palavra ou ato dele que mostrasse preconceito machista contra a mulher. Lembro do ex-pastor de Roraima, Fernando Granjeiro, que já dorme no Senhor, que esposava simpatia pelo ministério feminino. Embora a Bíblia tenha sido escrita por homens e várias épocas onde a mulher não era considerada em condições de igualdade com o homem, a ideia de um Deus machista é falsa e preconceituosa. O Jesus Cristo que conheci e aceitei é a encarnação de Deus na terra, e não posso dizer aquilo que não é verdadeiro: Ele não tinha preconceitos machistas. Neste terreno, uns podem dizer que seguem a Paulo, outros a Moisés, outros a Apolo, mas como cristão não posso conceber que a mulher é um ser criado para ser inferior ao homem. Fecho este parágrafo afirmando que as Assembléias de Deus do Brasil tem desperdiçado milhares de ministérios femininos por puro preconceito, baseado em sofismas, da mesma forma que foi preconceituosa com os Seminários Bíblicos, o uso do radio, o uso da TV. É certo que não devemos mudar os trilhos ao primeiro vento de mudança, mas a mudanças e Mudanças. Se a Igreja ficar fora do contexto cultural de sua época ela simplesmente deixa ser eficiente como portadora das Boas Novas da reconciliação do homem com Deus. E não estou falando de racionalizar com o pecado.

Depois de ter abordado a questão feminina dentro do contexto das Assembleias de Deus, pois há mulheres e MULHERES, assim como há homens e HOMENS, vejo com bons olhos uma bipolarização das lideranças da Igreja para esta 39ª Convenção. Isso eleva a temperatura e o pensamento entre as lideranças da Igreja. De certa forma as Assembléias de Deus se assemelham muito ao sistema de governo democrático dos Estados Unidos. Ela cresce e ainda é a maior denominação evangélica do Brasil por causa da autonomia de seus Pastores. Não há uma liderança única controladora. Não há um cabresto curto que força todos a seguir um único caminho. As Assembléias de Deus crescem porque, apesar de todos os seus defeitos, existe autonomia e espaço para trabalhar. E o espaço é o Brasil e o mundo. Embora ame de todo meu coração o grande Pastor que é o irmão José Wellington Bezerra da Costa, para o bem da Convenção Geral a alternância da liderança é melhor para a Igreja. Isto dá oportunidade a que grandes homens de Deus possam também deixar sua marca na administração da Convenção da Igreja. O medo não é o melhor conselheiro a ser ouvido em decisões que envolvam o destino da Igreja. Sonhos e visões, sim. Que cada ministro decida o destino da Convenção da Igreja sonhando com uma Igreja forte, ativa, envolvida, respeitadora, incentivadora, perfeitamente sintonizada no contexto da História, única e exclusivamente focando a mensagem do Evangelho e as almas dos perdidos sem Cristo.

Sobre contexto digital de nossa época, também tenho algo a dizer. É constrangedor ver o mundo inteiro tirando o máximo da Rede Mundial de Computadores, popularmente chamada de Internet, enquanto minha Igreja tem desprezado este recurso, muitas vezes rotulando-o de veículo de pornografia e prostituição. Quando abro o site FGTV da Igreja Coreana, liderada pelo Pr. Cho, e vejo cultos sendo transmitidos interruptamente em para o mundo em oito idiomas diferentes, eu coro de vergonha, pois aqui no Brasil temos muito pouco, a não ser as raras exceções dos Gideões Missionários da Última Hora e do Pr. Silas Malafaia. Enquanto isso, a Igreja Católica não perde mais tempo: o Papa pessoalmente está envolvido para que a mensagem do catolicismo mariano atinja os 2.000.000.000 (dois bilhões) de pessoas que usam c0mputadores em todo o mundo. Ficar fora da WEB, hoje, significa negar a palavra de Deus a uma geração de crianças, adolescentes e jovens de todas as partes do mundo que já navega neste mar digital e não vai mudar de pensamento para seguir o be-á-bá das lideranças mais conservadores das Assembleias de Deus. Neste contexto, não há volta. Se a Igreja se posicionar contra, vai ficar falando sozinha, do mesmo modo que ficou a reboque quanto à TV - que ontem condenava, mas que hoje está usando. Erros de visão e de estratégia. Neste ponto, como administrador da maior comunidade de blogs evangélicos do Brasil, posso dizer que as pessoas comuns estão adiante dos ministros de suas Igrejas, que suponho, ainda estejam presos às formas mais antigas de comunicação.

Antes de concluir, vou comentar sobre o Projeto Brasil da Igreja para se fazer representar nas Casas de Leis de nosso país. Modestamente, quero opinar que existe um grande erro de estratégia. É público e notório que a taxa de crescimento da Igreja Evangélica brasileira caiu nestes últimos cinco anos e que o "evangelho" da prosperidade não sustentou o crescimento da Igreja. Aliás, nos últimos anos tem trazido má fama para os pastores evangélicos diante dos olhos da sociedade. E o que a sociedade pensa deles? Pensam que são lobos exploradores da fé de pessoas cujas mentes são lavadas em vez de evangelizadas. Isto, não sou em quem diz, mas a voz que ouço das ruas. Pastores honrados e com grande história de vida estão sendo mal vistos e rotulados com o mesmo preconceito destinado aos "expertos" que salivam atrás do bolso dos fiéis. Isto é injusto e deplorável, mas não pode ser escondido: a conta do "evangelho da prosperidade está começando a ser paga agora, com o receio da sociedade de que por trás do nome de Cristo estejam apenas os mercadores da fé. Se a Igreja Assembléia de Deus investir sua energia em um grande projeto de evangelismo, vai ter mais (bons) políticos crentes nas Casas de Leis Brasileiras do que colocar o carro na frente dos bois e buscar uma estratégia, que na verdade não é sua, mas uma cópia do projeto político de uma outra Igreja. Um projeto de minoria, isto não me dá contentamento. Basta que cada crente brasileiro ganhe por ano cinco almas, para que metade do Brasil seja evangélico em menos de dois anos. Com a metade dos brasileiros evangélicos, para quem gosta de política, matematicamente falando, teremos a metade dos congressistas em qualquer Casa Legislativa - sem mudar os objetivos da Igreja.

E para concluir, vou dizer como as Assembléias de Deus vão sair depois da 39ª Convenção, que imagino, vai ser o marco decisivo para levar nossa Denominação ao contexto do III Milênio. É claro que aqueles que não forem bem sucedidos em seus projetos, vão ficar aborrecidos por algum tempo. Esse aborrecimento vai passar, assim com passam os dias e as estações. Nossos ministros, apesar de homens de Deus, estão sujeitos às emoções que qualquer pleito traz. Mas, que com certeza eles são guiados pela voz do Espírito de Deus e não por emoções humanas. Eu creio firmemente que as Assembléias de Deus depois desta Convenção vão sair com muito mais energia para tratar dos negócios da Casa do Senhor. O grande perdedor vai ser o diabo.


cruzue@gmail.com
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